
Já algum tempo que queria reflectir esta temática e, acho que após os dois jogos de bom nível e
vitoriosos, vou a aproveitar para analisar não a nossa principal equipa de
futebol mas a “outra”.
Pois este fim-de-semana perante quer uma vitória (limpa e plena) sobre o
Sporting e quer uma derrota frente ao Sporting, é o mote ideal para abordar o
nosso lado B. Estou é claro a falar então do vencedor e dinâmico Porto A e do
desapontante e estático Porto B. O que se passou entre o passado sábado e
domingo descreve o que tem sido esta época , pois enquanto a equipa principal
lidera o campeonato com a sua naturalidade já a “renascida” equipa B azul e
branca tem sido um autentico desastre em termos competi-vos (onde por vezes se
pergunta se será mesmo uma equipa do Porto a jogar, dada a falta de rigor,
ambição e cultura de vitória).
Os jogos de sábado e domingo são assim um paradoxo, que exemplifica as
diferenças gritantes entre a nossa equipa principal e os nossos Bês ”. Sendo
visível que a equipa B está longe de representar uma verdadeira equipa à Porto
e são vários pontos a criticar e pouco a louvar.
A verdade é que a versão B do Porto tem jogo após jogo revelado uma atitude que
nada se identifica com o espírito que estamos habituados a ver numa equipa do
Porto. Basta ver que o 18º lugar, os míseros 7 pontos conquistados, os 17
pontos de distâncias do 1º lugar, uma única vitoria em 10 jogos e um saldo
negativo entre golos sofridos e marcados não são factores que caracterizam uma equipa
do Porto. Mas a questão é saber se é algo que revela o insucesso do projecto da
equipa B ou se é algo que não passa de um ligeiro acidente fruto de esta 1ª
época ser uma época experimental ou fase de formação/construção do projecto.
Porém existem alguns pontos e factos da organização e composição do projecto
que têm sido postos em causa, ora vejamos:
1º Aparente não investimento nas oportunidades ao Jogador Português, dado ser
das criadas equipas Bês ” a que mais aposta em jogadores estrangeiros;
2º A política exagerada de contratações (estrangeiros e veteranos – Zé António)
e consequente não aposta na formação;
3º Escolha pouco acertada do treinador (não tem mostrado capacidades e espírito
de liderança à Porto). Devia ser um nome da casa, habituado ao nível maximo de
rigor do Porto e com preparação tecnica junto da equipa principal – caso claro
de Rui Barros.
4º Incapacidade de impor o seu jogo e assumir o jogo (equipa colocada atrás,
preocupa em defender mais que a atacar);
5º Dificuldade clara em sair a jogar, dado o meio campo muito posicionado
atrás, a falta de profundidade e agressividade (nomeadamente nas alas);
6º Indices de Competividade reduzidos, falta de espírito vencedor e
inexistencia de uma linha e pensamento de jogo
7º Falta de sentido e orientação da direcção no planeamento do projecto (onde
Antero Henriques não fica fora das criticas, pois é o próprio desde há 2 anos é
o princinpal responsável pela formação do departamento de futebol);
De todos estes factores muitos são realmente preocupantes, nomeadamente no que
diz respeito à forma de jogar e de agir em campo. Em relação à política de
contratações considero que talvez se tenha dado uma aposta exagerada no mercado
externo, sendo que a contratação do veterano Zé António é a meu ver certa na
medida que deve ser mais um treinador-jogador (é a voz em campo do treinador
Rui Gomes e transmite maturidade e ensinamentos do futebolaos mais jovens). O
caso da gestão de Antero Henrique é diferente e de dificl interpretação, pois
se este no futebol A tem tido uma acção excelente (sem esquecer que aí está às
ordens directas do nosso Presidente que é quem tem essa tutela, basta ver o
caso do ano passado em Coimbra). Porém em questões burocraticas/formais,
Antero, tem uma actuação de 5 estrelas, mas a meu ver o lado mais tecnico da
formação do departamento do futebol devia estar entregue a alguém com mais
conhecimento na matéria (como poderia ser Jesualdo Ferreira ou o próprio Vitor
Pereira (após cessar as funções de treinador dos “As”) - a exemplo do que
acontece com o Moncho Lopes no Basket).
Em todo o caso nem tudo é mau nos Bês ”, seria injusto não referir os bons
apontamentos que se já podem retirar (apesar de escassoz, raros e
inconstantes), como o espírito lutador de Mikel (na posição 6 que é importante
para o sistema do Porto tem sido o único a evoluir e a mostar resultados) a
persistência de Sebá (mas com exibições iregulares, as boas exibições de
Stefanovic (único jogador que tem mantido regularidade nas exibições) e a
tentativa de recriar o cariz do jogo do Porto A (mas ainda sem resultados).
Desta forma, devemos analisar o que é o projecto da equipa B, para que é que
foi realmente criado? Para servir de equipa de reservas (dar jogos aos
jogadores da A sem espaço), desenvolver talentos (habituados à forma de jogo
caracteristico do Porto para jogar no futuro na “A”) ou servir os interesses da
equipa A (nomeadamente no que diz respeito à inscrição total do plantel na
Champions).
Para a isto responder temos que avaliar qual é a função da criação nos clubes
das equipas Bês ”, e para tal basta ver que em Espanha (onde se tem uma cultura
já antiga de equipas Bês ) a situação das equipas Bês ” não é mais que equipas
para integrar os jovens das cateras no futebol (facilitar a sua passagem para o
patamar de profissionais e permitir a subida à equipa principal) e dar ritmo
aos jogadores não utilizados pela equipa A. Ou seja, o que interessa é o
objectivo da aprendizagem aos mais jovens do ambiente das competições
profissionais, complementar a formação e permitir a equipa A um leque de
soluções para eventuais necessidades e emergencias, o aspecto competitivo é
importante mas não é o prioritario. O comprovativo disso mesmo é a
classificação a meio da tabela da equipa B de Barcelona ou do Villareal.
Porém o caso do Porto B é um pouco diferente. Pois mesmo sabedo que a equipa B
não é formada para ser campea e que tem como principal fim desenvolver o
espírito e cultura portista nos recem-chegados ao clube, complementar a sua
formação e integração no ambiente de profissionais. Mas isso não é desculpa
para não serem cumpridos alguns minimos, já que não é aceitavel que uma equipa
que veste o simbolo da maior e mais vitoriosa equipa do futebol portugues tenha
uma atitude miseravel e a lembrar outros nossos conhecidos e não muito queridos
clubes.
Por isso o que neste momento falta é uma atitude diferente, pois isso também
influência todo o resto do trabalho. Sendo que o trabalho a fazer é ainda muito
e, é preciso ter em conta que uma equipa B é diferente das equipas da formação
e da equipa principal, tem de se fazer um trabalho não apenas tecnico mas de
educação dos jogadores. O melhor era mesmo seguir directrizes como aquelas
utilizadas pelo Barcelona B, dadas as grandes semelhanças que existem entre o
Porto e Barça e permitem que se encaixem na perfeição na nossa estrutura, como:
. Elementos procurados: técnica, velocidade, visão de jogo;
. Origem dos atletas: 50% da zona Norte; 40% de outras regiões de Portugal; 10%
estrangeiros;
. Tática idealizada: 4x3x3;
. Tipo de exercícios: sempre com bola e em ritmo altíssimo
. Aprendizagem da cultura do clube: reuniões semanais com ex-atletas do clube
Desta forma, é certo que os primeiros tempos não tem sido nada bons para este
projecto da equipa B, não parece nada certo ainda sem ter dado provas que seja
eleito para um Dragão de Ouro como projecto do ano. E é legítimo que alguns
adeptos não concordem com a sua formação, dado o desinvestimento nas restantes
modalidades, em especial o caso do basket (mas isso é um assunto que merece uma
reflecção própria)
E mesmo tendo em conta que o aspecto competitivo pode não ser o mais importante
a ter em conta também não deve ser deixado para trás, pois o nosso símbolo nas
camisolas da B tem sido muito maltratado, é preciso que tenham orgulho do clube
que representam e que joguem com alegria e à Porto (para ganhar e não para não
perder).
ps:Em relação a nossa equipa principal apenas fica a ideia que falta
estabilidade no ritmo competitivo, ou seja já provaram a qualidade, dedicação e
ambição mas falta-lhes conseguir manter um igual equilibiro e rendimento
constante. Tem o que falta na equipa B (atitude e trabalho), mas falta-lhes a
regularidade das exibições (regularidade essa que na equipa existe em demasia
só que em termos negativos).
Por: João Serra (colaborador)